ESCOLA & PROFESSORES | Proteger, Transformar, Valorizar


Um livro de grande sucesso, escrito por Idriss Aberkane, afirma que “já não estamos no

tempo da educação de stocks mas antes da educação de fluxos, e por isso devemos interessar-nos

sobretudo pela dinâmica da aprendizagem e não pelo stock de saberes” (2018 Stanislas Dehaene (2018).

 

Hoje Presidente do Conselho Científico da Educação Nacional em França, considera os quatro pilares da aprendizagem:

a atenção; o envolvimento activo; a detecção dos erros e a recompensa; e a consolidação.

Vale a pena voltar, por um instante, ao famoso texto de John Dewey, O meu credo pedagógico. Como se sabe,

é um dos primeiros apontamentos, logo em 1897, de um movimento que, na Europa, ficará conhecido como Educação Nova.

Neste credo já estão presentes alguns elementos que se tornarão populares na literatura pedagógica do século XX:

a autonomia dos educandos, nomeadamente na sua relação com o estudo e as aprendizagens; a valorização da comunicação,

do diálogo e da cooperação entre os alunos; uma escola ativa, isto é, baseada numa lógica de trabalho, de investigação

e de criação; uma concepção aberta de comunidade educativa, ligando a escola à sociedade.

 

A valorização do espaço público da educação é fundamental para inscrever toda a sociedade no esforço de educar,

como se defende, por exemplo, no movimento das “cidades educadoras”. É impossível prolongar uma

concepção fechada da escola. Este é outro ponto central da metamorfose da escola … Educar humanos.

Ninguém pode fazer a viagem por nós. Permitam-me uma afirmação evidente, mas para alguns inaceitável: a missão de um

professor de Matemática não é ensinar Matemática, é formar um aluno através da Matemática.

Estaria eu, por esta via, a diminuir a importância da Matemática e do seu ensino?

De modo nenhum. Estou a afirmar precisamente o contrário, que a sua necessidade é tão grande que, sem Matemática, não é possível a educação de um ser humano.

Será que, pela primeira vez na história, iremos conceber a educação não como preparação para a vida e para o trabalho,

mas como uma atividade inerente à condição humana? Será que a educação deixará de ser pensada, primordialmente,

para as primeiras idades, prolongando-se “ao longo da vida”, e passará a desenvolver-se numa dinâmica intergeracional?

 

A matriz curricular que predominou no século XX está esgotada. Se olharmos para as dinâmicas contemporâneas da ciência

e da arte, facilmente encontraremos novos entrelaçamentos disciplinares.

O ensino deve organizar-se por grandes temas (Opertti, 2021).

As metáforas do laboratório e do atelier podem ajudar-nos a definir os novos ambientes escolares. No laboratório, trabalha-se,

em conjunto, estuda-se a realidade, resolvem-se problemas. No atelier, dá-se largas à expressão e à imaginação, cria-se,

antecipa-se o futuro.

 

Estratos do livro Escola E Professores
Proteger, Transformar, Valorizar
António Nóvoa, Salvador da Baía, 2022

https://rosaurasoligo.files.wordpress.com/…/antonio…