TEMOS o PERFIL e as APRENDIZAGENS e AGORA?


A propósito Despacho n.º 6605-A/2021, publicado no dia 6 de julho, um colega solicitou-me uma planificação para a atualidade, isto é, sem metas curriculares nem programas, com o perfil dos alunos e as aprendizagens essenciais … aqui fica a resposta.
Em tempos publicamos no site da http://apevt.pt/ um artigo, “Planificação”, exatamente sobre esta problemática e que repito aqui dada a sua atual importância.
Efetivamente neste final de ano muitos professores estão a elaborar planificações pedidas nas escolas.
Estas planificações  globais anuais não devem ser especificas, isto é, deverão ser enunciados genéricos de abordagens disciplinares, a partir de: TEMAS; SITUAÇÕES; FENÓMENOS; DESAFIOS OU PROBLEMAS, DO AMBIENTE, PATRIMÓNIO, COMUNIDADE, com o propósito de flexibilizar os saberes que serão solicitados no desenvolvimentos dessas abordagens através de ATIVIDADES (unidades de trabalho ou projetos).
As planificações especificas de curto e médio prazo organizam-se, segundo os
DOMÍNIOS ORGANIZADORES DAS APRENDIZAGENS que induzem a uma metodologia investigativa com 3 etapas no seu processo (interpretação/experimentação/apropriação), englobam as
ÁREAS OU MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS (desenho, pintura, gravura, escultura, modelação, animação, tecelagem, etc.) e suscitam o tratamento de
CONTEÚDOS (forma, cor, espaço, geometria, etc.) que vão sendo necessários, mas não se centram neles.
Este é o processo normal nas nossas disciplinas, lecionar por conteúdos é desvalorizar a área de educação artística e tecnológica, é subverter conscientemente o paradigma das Aprendizagens Essenciais e do Perfil dos Alunos e a sua centralidade  no processo de ensino. As aprendizagens essenciais, que não são os mínimos a atingir mas a base comum de escolaridade, dizem respeito ao conjunto essencial de conhecimentos, capacidades e atitudes estruturantes de cada área/disciplina, integradas por ações estratégicas …
“Dominar os conceitos de plano, ritmo, espaço, estrutura, luz-cor, enquadramento, entre outros – em diferentes contextos e modalidades expressivas: pintura, escultura, desenho, design, fotografia, cinema, vídeo, banda desenhada. Compreender a importância da inter-relação dos saberes da comunicação visual (espaço, volume, cor, luz, forma, movimento, estrutura, ritmo, entre outros) nos processos de fruição dos universos culturais.” etc.
A diferença é grande, pois, nas metas curriculares a abordagem de ensino do professor era supostamente igual para todos em qualquer lugar (tipo professor funcionário com exame no final para ver se cumpriu). Nas aprendizagens essenciais – competências, a gestão do ensino é da responsabilidade do professor consoante o seu contexto e realidade. Claro que isto é bem mais difícil para o professor enquanto gestor do currículo.
No caso das artes, dadas as suas especificidades, considerou-se que a lógica do plano de estudos deveria ser de  ciclo e não anual. Também, nesta lógica de ciclo as coisas são mais difíceis para o professor, pois,  a planificação vai depender do numero de atividades ou projetos previstos, atendendo ao nível de escolaridade, às caraterísticas dos alunos, etc. Existem indicadores do numero de propostas de atividade por ano, por exemplo, no 2ºciclo as atividades deverão ser o mais diversificadas possível, entende-se por isso, que se num ano letivo o aluno desenvolver 4 ou 5 unidades é aceitável. Á medida que a escolaridade aumenta as unidades são sendo naturalmente mais profundas e logo mais demoradas, admite-se que no 7º ano os alunos possam desenvolver 3 unidades, uma por período,  estas unidades vão solicitar uma quantidade de conhecimentos e capacidades que o professor deve gerir. Ora, isto, pode implicar um planeamento global anual de ciclo, aconselhável como referencial no departamento disciplinar.

UMA COISA É CERTA! Este tipo de ensino não se compadece com a receita, com as respostas e soluções todas dadas e explicadas logo à partida pelo professor.

– Agora fica claro que a escola é para todos sem excluídos à partida.
– Agora já não há desculpas para a programação sequencial, extensa e intensa do ensino aprendizagem.
– Agora há mais espaço para as metodologias ativas, o projeto e o trabalho interdisciplinar …
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Carlos Gomes