Flexibilização Curricular e Aprendizagens Essenciais

Partilhamos a apresentação de Carlos Gomes, presidente da APEVT, no congresso da associação que decorreu nos dias 10 e 11 no Funchal. A partir dos pressupostos do Currículo para o Século XXI, reflete sobre as operacionalizações, flexibilização, opções, potenciais, dúvidas e implicações nas áreas disciplinares abrangidas pela APEVT.

No encontro, os professores analisaram e debateram um momento de mudança – Autonomia e Flexibilidade Curricular. Este projeto começa já para o ano em regime de experimentação e a sua generalização prevista para todo o território nacional em 2018/2019. Para onde queremos ir? Que oportunidades se colocam? Que atitude se espera dos professores em geral e dos de EVT em particular.

Na gestão curricular nas escolas que integram o projeto de Autonomia e Flexibilidade, os professores devem garantir o equilíbrio entre as áreas e as disciplinas nas matrizes curriculares base. É indispensável que as medidas concretas sejam coerentes com a visão enunciada, de modo assegurar o envolvimento e participação dos diferentes atores.

João Costa e os Princípios da Educação para o Século XXI

Orador convidado do Congresso Nacional da APEVT, o Secretário de Estado da Educação virá falar-nos da visão que sustenta as iniciativas de reforma curricular ao abrigo do Currículo para o Século XXI. São bem conhecidos os seus pontos principais, baseados em metodologias de projeto, interdisciplinaridade, e essencialmente de uma visão da educação que ultrapassa perspetivas instrucionistas, focalizada no desenvolvimento do indivíduo, capacitando-o para responder aos desafios de um futuro incerto e em constante aceleração. Reproduzimos aqui um dos seus discursos mais recentes, sobre os objetivos das novas modalidades de desenvolvimento curricular correntemente a ser iniciadas em escolas-piloto.

“AO LONGO DO PRÓXIMO ANO LECTIVO, um conjunto vasto de escolas estará a ser acompanhado na implementação de projetos de flexibilidade no desenvolvimento curricular. Não se pretende uma mudança motivada pela vontade inovar, mas sim valorizar as escolas e os professores enquanto agentes de desenvolvimento curricular e garantir que, com flexibilidade e coerência, se garantem melhores aprendizagens para todos os alunos.

A flexibilidade no desenvolvimento do currículo constitui um instrumento para explorar formas diferentes de organizar os tempos escolares, possibilitando trabalho de diferenciação pedagógica, de natureza interdisciplinar, desenvolvimento de projetos, aprofundamento dos conhecimentos adquiridos, alternância de tempos, trabalho em equipas pedagógicas. Pretende-se, com este instrumento de trabalho, conferir verdadeira autonomia às escolas, com as seguintes finalidades:
• O enriquecimento, aprofundamento e consolidação das «aprendizagens essenciais»;
• O desenvolvimento de projetos com o objetivo específico de recuperação de aprendizagens;
• A valorização das artes, do desporto, do trabalho experimental e das tecnologias de informação e comunicação, bem como a integração das componentes de natureza regional e local;
• A aquisição e desenvolvimento de competências de pesquisa, avaliação, reflexão, mobilização crítica e autónoma de informação, com vista à resolução de problemas e ao reforço da autoestima dos alunos;
• O desenvolvimento de experiências de comunicação e expressão nas modalidades oral, escrita, visual e multimodal;
• O exercício da cidadania ativa, de participação social, em contextos de partilha e colaboração e de confronto de ideias sobre matérias da atualidade;
• A dinâmica do trabalho de projeto, centrada no papel dos alunos enquanto autores, proporcionando situações de aprendizagens significativas. Alguns exemplos de instrumentos de flexibilidade são hipóteses de organização como as que se listam, a título meramente ilustrativo e não exaustivo:
• Fusão de disciplinas em áreas disciplinares;
• Alternância, ao longo do ano letivo, de períodos de funcionamento disciplinar com períodos de funcionamento multidisciplinar, em trabalho colaborativo;
• Desenvolvimento de trabalho prático ou experimental com recurso a reconfiguração de turmas ou outra organização;
• Integração de projetos desenvolvidos na escola em blocos que periodicamente integram a matriz semanal, de forma rotativa ou outra adequada;
• Redistribuição da carga horária das disciplinas das matrizes-base promovendo tempos de trabalho de projeto interdisciplinar, com partilha de horário entre diferentes disciplinas.
• Organização do funcionamento das disciplinas de um modo trimestral ou semestral, ou outra organização;
• Criação de disciplinas para o desenvolvimento de componentes de currículo local com contributo interdisciplinar.

Estas formas de organização potenciarão a partilha de instrumentos de avaliação entre disciplinas, a valorização de diferentes dimensões na avaliação dos alunos”.

São ideias em que a APEVT se revê. Acreditamos que a nossa longa experiência no desenvolvimento de metodologias de projeto, trabalho cooperativo e foco na criatividade sustentada por conhecimento possam dar um enorme contributo para estas mudanças, necessárias para que a Educação responda mais eficazmente à necessidade social de formação de cidadãos ativos para este novo século.

Encontro Nacional APEVT

Nos dias 10 e 11 de julho, no Funchal. A APEVT-Madeira acolhe o encontro nacional da APEVT, subordinado ao tema Que Currículo para o Século XXI. Em breve, serão divulgados mais detalhes e publicado o programa completo deste encontro.