Apelo à Partilha no Domínio da Autonomia e Flexibilidade Curricular

São ainda desconhecidos, na sua grande maioria, os processos de operacionalização do projeto sobre Autonomia e Flexibilidade Curricular, com toda a autonomia pedagógica e organizacional que lhe está subjacente. Nós, na APEVT, acreditamos que a partilha de experiências dos docentes que estiverem envolvidos nas escolas-piloto poderá ser uma enorme mais valia para todos, na ótica de uma tomada de posição sobres os aspetos negativos e positivos, antes da generalização do projeto a todas as escolas. Partilhando as experiências que estão agora a começar no terreno gerará conhecimento útil para todos nós.Trabalhando isolados, teremos dúvidas. Em rede, poderemos optimizar e levar mais longe os projetos nascidos nesta iniciativa.

Também sentimos que esta operacionalização poderá prejudicar as áreas artísticas, cujo contributo é essencial para viabilizar e enriquecer o Currículo para o Século XXI. Nos grupos de trabalho nas escolas-piloto poderão ser, de boa fé, tomadas opções que resultem num enviesamento indesejável, favorecedor de apenas algumas dimensões da aprendizagem.

Deixamos aqui o apelo a todos os docentes representados pela APEVT, associados ou não: partilhem connosco as vossas experiências de implementação no terreno do projeto sobre Autonomia e Flexibilidade Curricular, quer as práticas proveitosas quer as prejudiciais. Para tal, contatem-nos por email através do endereço apevt@apevt.pt ou por mensagem na nossa página na rede social facebook.

 

 

Agir pela Dignificação de EVT e ET

O projeto sobre Autonomia e Flexibilidade Curricular, ao atribuir às escolas autonomia para gerir as alterações e a organização de conteúdos, tempos e tipologia de aulas entre outras dimensões, vai no caminho que consideramos desejável. Contudo, o despacho que o sustenta suscita a nossa critica, uma vez que apresenta dissonâncias com os princípios orientadores da flexibilidade curricular enunciados, Assunção das artes, da ciência e tecnologia, do desporto e das humanidades como componentes estruturantes da matriz curricular das diversas ofertas educativas e formativas, por que tanto pugnamos.

A atomização curricular da área da Educação Artística e Tecnológica, 2º ciclo, em contraponto com a integração disciplinar emergente dos pressupostos do trabalho interdisciplinar e de projeto e, a interrupção da sequencialidade da disciplina de Educação Tecnológica nos diferentes ciclos de estudo escolaridade obrigatória, com a grave omissão desta no 3º CEB, coloca-nos numa posição de oposição. O que lastimamos!

Em 1990, há 27 anos, no Encontro Regional EVT no Porto.

 

Hoje, 2017, Encontro Nacional da APEVT no Funchal.

A APEVT salvaguarda-se no pressuposto que este projeto é aplicado em regime de experiência pedagógica, o que permitirá uma monitorização e avaliação, essenciais a uma reformulação que sustentará o processo de revisão do quadro legal, tendo em vista a generalização da flexibilidade curricular.

Cabe, também aos professores, nas suas escolas, lutarem pela área educativa a que pertencemos, tomando posições legitimadas pelo articulado do despacho.

Flexibilização Curricular e Aprendizagens Essenciais

Partilhamos a apresentação de Carlos Gomes, presidente da APEVT, no congresso da associação que decorreu nos dias 10 e 11 no Funchal. A partir dos pressupostos do Currículo para o Século XXI, reflete sobre as operacionalizações, flexibilização, opções, potenciais, dúvidas e implicações nas áreas disciplinares abrangidas pela APEVT.

No encontro, os professores analisaram e debateram um momento de mudança – Autonomia e Flexibilidade Curricular. Este projeto começa já para o ano em regime de experimentação e a sua generalização prevista para todo o território nacional em 2018/2019. Para onde queremos ir? Que oportunidades se colocam? Que atitude se espera dos professores em geral e dos de EVT em particular.

Na gestão curricular nas escolas que integram o projeto de Autonomia e Flexibilidade, os professores devem garantir o equilíbrio entre as áreas e as disciplinas nas matrizes curriculares base. É indispensável que as medidas concretas sejam coerentes com a visão enunciada, de modo assegurar o envolvimento e participação dos diferentes atores.

O Desafio de Mudar a Educação do Século XXI

À medida que a flexibilização curricular avança, as metas morrem!

Já no próximo ano letivo entrará em vigor, em regime de experimentação e generalização em 2018, um novo quadro de referência nacional que explicita, claramente, a visão, os princípios, os valores e as competências, dando forma e sentido aos anos de escolarização.

• O perfil dos alunos no final da escolaridade obrigatória estabelece uma visão de escola e um compromisso da escola, constituindo-se para a sociedade em geral como um guia que enuncia os princípios fundamentais em que assenta uma educação de matriz humanista que se quer inclusiva e integral. Apresenta uma visão daquilo que se pretende que os jovens alcancem, sendo, para tal, determinante o compromisso da escola, a ação dos professores e o empenho das famílias e encarregados de educação.

• As Aprendizagens Essenciais para cada disciplina, como a primeira pedra para a articulação entre o Perfil e os currículos, supõem um trabalho de atualização e articulação dos programas que foram sendo elaborados nos últimos 25 anos, constituindo-se como principal referencial no desenvolvimento do currículo.

• A Flexibilização Curricular, enquanto instrumento para explorar formas diferentes de organizar os currículos escolares, possibilita o trabalho de diferenciação pedagógica, de natureza interdisciplinar, concretização de projetos, valorizando as escolas e os professores enquanto agentes de desenvolvimento curricular e garante das melhores aprendizagens para todos os alunos.

O trabalho que os professores têm pela frente, é o de definir em que grau e de que forma vão ser agentes ativos nesta mudança.

João Costa e os Princípios da Educação para o Século XXI

Orador convidado do Congresso Nacional da APEVT, o Secretário de Estado da Educação virá falar-nos da visão que sustenta as iniciativas de reforma curricular ao abrigo do Currículo para o Século XXI. São bem conhecidos os seus pontos principais, baseados em metodologias de projeto, interdisciplinaridade, e essencialmente de uma visão da educação que ultrapassa perspetivas instrucionistas, focalizada no desenvolvimento do indivíduo, capacitando-o para responder aos desafios de um futuro incerto e em constante aceleração. Reproduzimos aqui um dos seus discursos mais recentes, sobre os objetivos das novas modalidades de desenvolvimento curricular correntemente a ser iniciadas em escolas-piloto.

“AO LONGO DO PRÓXIMO ANO LECTIVO, um conjunto vasto de escolas estará a ser acompanhado na implementação de projetos de flexibilidade no desenvolvimento curricular. Não se pretende uma mudança motivada pela vontade inovar, mas sim valorizar as escolas e os professores enquanto agentes de desenvolvimento curricular e garantir que, com flexibilidade e coerência, se garantem melhores aprendizagens para todos os alunos.

A flexibilidade no desenvolvimento do currículo constitui um instrumento para explorar formas diferentes de organizar os tempos escolares, possibilitando trabalho de diferenciação pedagógica, de natureza interdisciplinar, desenvolvimento de projetos, aprofundamento dos conhecimentos adquiridos, alternância de tempos, trabalho em equipas pedagógicas. Pretende-se, com este instrumento de trabalho, conferir verdadeira autonomia às escolas, com as seguintes finalidades:
• O enriquecimento, aprofundamento e consolidação das «aprendizagens essenciais»;
• O desenvolvimento de projetos com o objetivo específico de recuperação de aprendizagens;
• A valorização das artes, do desporto, do trabalho experimental e das tecnologias de informação e comunicação, bem como a integração das componentes de natureza regional e local;
• A aquisição e desenvolvimento de competências de pesquisa, avaliação, reflexão, mobilização crítica e autónoma de informação, com vista à resolução de problemas e ao reforço da autoestima dos alunos;
• O desenvolvimento de experiências de comunicação e expressão nas modalidades oral, escrita, visual e multimodal;
• O exercício da cidadania ativa, de participação social, em contextos de partilha e colaboração e de confronto de ideias sobre matérias da atualidade;
• A dinâmica do trabalho de projeto, centrada no papel dos alunos enquanto autores, proporcionando situações de aprendizagens significativas. Alguns exemplos de instrumentos de flexibilidade são hipóteses de organização como as que se listam, a título meramente ilustrativo e não exaustivo:
• Fusão de disciplinas em áreas disciplinares;
• Alternância, ao longo do ano letivo, de períodos de funcionamento disciplinar com períodos de funcionamento multidisciplinar, em trabalho colaborativo;
• Desenvolvimento de trabalho prático ou experimental com recurso a reconfiguração de turmas ou outra organização;
• Integração de projetos desenvolvidos na escola em blocos que periodicamente integram a matriz semanal, de forma rotativa ou outra adequada;
• Redistribuição da carga horária das disciplinas das matrizes-base promovendo tempos de trabalho de projeto interdisciplinar, com partilha de horário entre diferentes disciplinas.
• Organização do funcionamento das disciplinas de um modo trimestral ou semestral, ou outra organização;
• Criação de disciplinas para o desenvolvimento de componentes de currículo local com contributo interdisciplinar.

Estas formas de organização potenciarão a partilha de instrumentos de avaliação entre disciplinas, a valorização de diferentes dimensões na avaliação dos alunos”.

São ideias em que a APEVT se revê. Acreditamos que a nossa longa experiência no desenvolvimento de metodologias de projeto, trabalho cooperativo e foco na criatividade sustentada por conhecimento possam dar um enorme contributo para estas mudanças, necessárias para que a Educação responda mais eficazmente à necessidade social de formação de cidadãos ativos para este novo século.

Carta Aberta das Associações de Professores sobre o Projeto Currículo para o Século XXI

Depois das federações sindicais, catorze associações de professores dão o seu apoio crítico ao perfil do aluno para o século XXI, com esta tomada de posição conjunta:

O papel desempenhado pela educação e pelas escolas e o seu lugar na construção do futuro tornaram-se, nos nossos dias, o centro de um debate premente, como questão estratégica à escala local, nacional e mundial. Nesse sentido, as associações de professores abaixo consignadas manifestam o seu apoio às iniciativas, promovidas pelo Ministério da Educação, de repensarmos entre todos – não apenas por parte dos gestores das políticas educativas – o lugar e o papel da educação e da escola, nomeadamente da escola pública, pilar fundamental para a integração social e a equidade em convivência democrática.

Leia aqui a Carta Aberta das Associações de Professores sobre o Projeto Currículo para o Século XXI.

Currículo para o Século XXI: Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória

Partilhamos a versão final do documento estruturante Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. São estas as áreas de competência que integram o perfil: linguagens e textos; informação e comunicação; raciocínio e resolução de problemas; pensamento crítico e pensamento criativo; desenvolvimento pessoal e autonomia; bem-estar e saúde; sensibilidade estética e artística; saber técnico e tecnologia; consciência e domínio do corpo. Destacamos as três últimas, por se inserirem no âmbito das áreas disciplinares que representamos e incorporarem a nossa filosofia criativa e experimental.

Conforme referiu o jornal Público na sua notícia de destaque sobre as Competências para o Século XXI,

“Não há mais, e há muito que as há, ciências ditas duras e ciências ditas moles, saberes essenciais e saberes dispensáveis, conhecimento material útil e cultura acessória inúntil”,disse o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, no final da sessão de apresentação do perfil de competência. O actual ministro demarcava-se assim, uma vez mais, das opções adoptadas pelo anterior titular da pasta, Nuno Crato, que elegeu um número reduzido de disciplinas como sendo “estruturantes”, entre elas o Português e Matemática. “Se tudo correr bem, no próximo ano lectivo, nos anos iniciais de ciclo, já se estará a trabalhar nesta base”, acrescentou.

Este documento estruturante representa uma mudança de paradigma educativo, atento e que responde aos desafios do mundo contemporâneo e futuro próximo. Para ajudar a transformar estes princípios em realidade educativa, está prevista formação aos docentes, para que no terreno possam adaptar as suas práticas e estimular nos alunos aprendizagens mais ricas, humanistas, críticas e tecnológicas, que os preparem não com blocos de conhecimento estanque mas com competências ativas que lhes permitirão ter posturas dinâmicas de resposta aos desafios inescrutáveis de um futuro incerto e em rápida mutação e desenvolvimento. Clique aqui para o consultar: Perfil dos Alunos à Saida da Escolaridade Obrigatória.

Secretário de Estado da Educação defende “dieta” para acabar com “obesidade curricular”

JOÃO RELVAS/LUSA in OBSERVADOR 10-12-2016

O secretário de Estado da Educação defendeu a necessidade de “fazer dieta” para acabar com a atual “obesidade curricular” que impede o cumprimento de programas e a consolidação do conhecimento.

https://www.facebook.com/confap.portugal/videos/1218278948251716/

“Se há um problema de obesidade curricular, se o currículo está gordo, então é preciso fazer dieta”, destacou João Costa, o secretário de Estado da Educação durante o XLI Encontro Nacional das Associações de Pais que decorreu na Trofa.

Para o governante, ainda que Portugal seja “dos países onde os alunos passam mais horas por semana na escola”, o conhecimento não se consolida e “nalguns temas, os alunos não estão a aprender bem”, por falta de tempo.

 “Quando começamos a utilizar o conhecimento, a analisar, relacionar, a pensar criticamente sobre o conhecimento e até a produzir e criar conhecimento, temos competências de nível mais elevado, mas que também requerem tempo”, realçou.

É necessário, por isso, uma flexibilização curricular que tem sido alvo de um amplo trabalho de discussão entre a tutela e os diretores de escolas, professores, encarregados de educação, bem como um trabalho legislativo que o secretário de Estado espera estar concluído “ainda durante este ano letivo”.

“Gostaríamos que em 2017/2018 já estivesse a acontecer alguma coisa [ao nível da flexibilização curricular], mas estou mais preocupado com a qualidade do produto que com o calendário. E essa é a minha preocupação principal”, referiu o governante.

Quanto à chamada “obesidade curricular”, referiu que este “não é um problema nacional”, havendo muitos países a lidar com “uma construção de currículo por empilhamento de factos, dados, conteúdos, que fazem falta, mas que depois não se consegue usar”.

João Costa explicou que “para ter tempo para tratar todas as dimensões” é necessário “cortar algures”, mas “cortar não significa deixar de dar”, significa, sim, flexibilizar.

Ainda ao nível da flexibilização curricular, o secretário de Estado salientou a vontade da tutela em dar “autonomia em 25% do currículo” às escolas, que permita um “cruzamento de disciplinas, exploração de temas” ou aprofundamento de trabalho experimental.

Questionado por um representante de uma federação de pais sobre a existência de turmas ainda sem professores, o secretário de Estado respondeu que existe “um problema seríssimo que tem a ver com professores colocados e que não aceitam o lugar”.

“Isto vai ser mudado”, garantiu o governante.

“As escolas portuguesas ainda não fizeram a transição do ensino do século XX para o século XXI”

Em entrevista ao Expresso, por e-mail, Andreas Schleicher, diretor do departamento de Educação e Competências da OCDE, fala do que é preciso mudar no ensino para garantir jovens bem sucedidos, num mundo que “já não recompensa as pessoas apenas por aquilo que sabem – o Google sabe tudo – mas por aquilo que conseguem fazer com isso”. Leia a entrevista completa aqui: “As escolas portuguesas ainda não fizeram a transição do ensino do século XX para o século XXI”.