BAD Jobs 2016

A Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD), em parceria com a Junta de Freguesia de Arroios, realiza nos dias 18 e 19 de novembro de 2016, no Mercado 31 de Janeiro, em Lisboa,  a 1ª edição do Mercado das Profissões BAD (Bibliotecas, Arquivos e Museus), intitulada BAD JOBS 2016 – Formação e profissão: que futuro?. O programa deste evento inclui apresentação de projetos, workshops, teatro de marionetas, sessões de música, feira de livros e demonstrações feitas por diversas escolas, entre as quais a aplicação de tecnologias de modelação e impressão 3D em contextos pedagógicos, criando espaços maker nas bibliotecas escolares.

Abertura do Concurso Ciência na Escola

Estão abertas as inscrições para a décima quarta edição do concurso de ideias Ciência na Escola, promovido pela Fundação Ilídio Pinho e DGEstE. Subordinado ao tema A Ciência e a Tecnologia ao serviço de um mundo melhor, este concurso privilegia projetos interdisciplinares que, partindo da área das ciências, envolvam professores de diversas áreas disciplinares, sendo uma excelente oportunidade de interacção entre áreas científicas e artísticas. As suas categorias vão do pré-escolar ao ensino secundário, e garante financiamento direto a todos os projetos aprovados para desenvolvimento. Consulte aqui o Regulamento da 14ª Edição do Prémio Fundação Ilídio Pinho – Ciência na Escola.

Oferta Formativa

Formar e inovar para lutar pelas artes e tecnologias na educação. Estamos a ultimar o plano de formação da APEVT, que pretendemos que seja inovador e abrangente. As ações planeadas cobrem grande parte do país, divididas em três grandes temas.

As formações estão centradas nas didáticas específicas, trabalho interdisciplinar, EV/ET e as TIC. Divulgaremos em breve o plano de ações, que inclui temáticas que vão dos materiais e técnicas de expressão plástica à ilustração, ilustração digital, desenho infantil, modelação e impressão 3D. Fique atento à nossa página web, ou às páginas nas redes sociais.

Perfil de Aprendizagens Essenciais

O Perfil das Aprendizagens Essenciais, deverá ser executado pelas Associações representativas dos professores até 15 de janeiro de 2017, para cada uma das disciplinas da sua área de conhecimento e para cada ano de escolaridade.

Pressupostos:

1. Total independência conceptual.
2. Ter como referencia todas as Orientações Curriculares existentes.
3. Foco no essencial indispensável de cada uma das disciplinas.
4. Foco no que é flexível e suscetível de planificação /articulação horizontal.
5. Consideração sobre a avaliação.
6. Consideração sobre a inclusão.
7. Garantia de cronograma de trabalho com reuniões de articulação.

Do debate, ficou explícito que:

a) Nesta legislatura não existirá revisão da LBSE e que, portanto, se mantém os ciclos de estudo.
b) Uma ultima etapa definirá a matriz curricular, ou seja, os planos curriculares dos modelos de concretização disciplinar.
c) É adquirido que 25% da matriz curricular futura será flexível, devendo as escolas usarem, de forma enquadrada, (OAL) da sua autonomia na sua gestão.
d) No ano letivo 2017/2018 deverá iniciar-se a “experimentação” no 1º, 5º, 7º, 10º anos.

Como associação de professores, a APEVT participará de forma ativa nesta discussão.

Audiências Institucionais

No cumprimento da sua missão institucional, a direção da APEVT solicitou audiências à Comissão Parlamentar de Educação e à Secretária de Estado da Educação. Consulte aqui as questões levantadas pelos representantes de EVT:

Audiência da Secretária de Estado da Educação à APEVT (17 de maio de 2016)

Audiência da Comissão Parlamentar de Educação à APEVT(12 de maio de 2016)

Plano de Atividades: Biénio 2016/2018

Queremos renovar, inovar, dar novo fôlego à Educação Visual e Tecnológica. Responder às dificuldades, dinamizar formação, prestigiar a nossa identidade. O Plano de Atividades para os próximos dois anos, no biénio 2016/2018, está orientado para as questões importantes e fundamentais que a APEVT tem vindo a tomar nos últimos anos. Estamos preparados para dar o nosso contributo nas questões relacionadas com as políticas do ensino básico. Questões que são motivo de empenho e exigência. O presente plano perspetiva eventos que serão realizados ao longo de dois anos. Clique aqui para consultar o Plano de Atividades da APEVT (Biénio 2016/2018). Este, e outros documentos estruturantes da nossa associação, estão disponíveis na área de documentação.

Perfil de Competências para o Século XXI – Contribuições da APEVT

No CUMPRIMENTO DA TAREFA que me foi encomendada enquanto membro do Grupo de Trabalho do Currículo, ME, DOU NOTA a todos do documento enviado referindo a inestimável colaboração do Manuel Porfírio.

Perfil dos jovens de 18 anos / Escolaridade de 12 anos / para o Séc. XXI

Nota prévia:
A intenção deste documento deve ser entendida como um contributo para definir o sentido da proposta a elaborar relativamente às competências, aos valores e aos saberes fundamentais do cidadão do Século XXI que devem estar plasmados no perfil dos jovens portugueses aos 18 anos de idade, após 12 anos de escolaridade.
Mais que uma proposta formulada, com objetivos com ordem taxonómica, trata-se, primordialmente, de estabelecer o quadro sistematizador bem como indicar as opções sociais e pedagógicas subjacentes à elaboração do perfil.
Contexto:
Aprendizagem / formação ao longo da vida; transformações sociais; sociedade de escolhas / dilemática; movimentos sociais de globalização e regionalização: os novos nacionalismos; novas formas de agrupamentos dos estados, mudanças geoestratégicas dos países e estados no mundo; movimentos populacionais intensos de âmbito internacional, regionais e nacionais; mobilidades geográficas, sociais, culturais, novos desafios no âmbito da bioética; mudanças na organização do trabalho, da produção e da economia

Princípios:
Recusar o mercado como referência
Recusar o princípio da rentabilidade social
Focagem no progresso social e desenvolvimento pessoal

Valores:
A paz
A democracia
Direitos humanos
A inclusão
A multiculturalidade
A sustentabilidade ambiental
A solidariedade

Competências/Domínios:
Social e relacional
Literacias funcionais da vida em sociedade
Maturidade emocional e comportamental
Desenvolvimento pessoal
Aprender a aprender- métodos e atitudes cognitivas e afetivas que facilitem a aquisição de novos conhecimentos
Autonomia
Auto gestão / micro marketing pessoal
Flexibilidade /comportamental / social
Desenvolvimento de competências pessoais para vida ativa, para o trabalho e para a carreira profissional
Iniciativa e trabalho autónomo
Trabalho em grupo, cooperação e aprendizagem em comum
Comunicação falada, escrita na língua materna e em línguas estrangeiras
Uso competente das TICs nos diferentes campos da vida social, individual e profissional
Obtenção e processamento da informação
Planificação, definição de objetivos e meios
Auto gestão / micro marketing pessoal
Flexibilidade /comportamental / social
Tomada de decisão
Visão crítica sobre os modos de organização social do trabalho
Participação ativa, crítica e cívica na transformação das relações sociais do trabalho conducentes do desenvolvimento humano e progresso social

Comunicacional e cultural:
Linguagens, áreas do saber, humanístico, artístico, cientifico e tecnológico que contribuam para a: fruição, contemplação e crítica das manifestações artísticas nos seus contextos e o posicionamento crítico face à produção estética e ao seu papel na sociedade contemporânea

Ético / Cívico:
Participação ativa na polis
Escolhas sociais
Participação na vida social comunitária
Posicionamento ético,
Integridade,
Diversidade equidade

CONTRIBUTOS para um quadro de opções sociais e pedagógicas subjacentes à elaboração do perfil nas áreas das Artes e da Tecnologia:
Arte e sociedade (Musica, Drama, Dança, Artes Visuais)
Expressão, comunicação e criatividade
Uso e pensamento e ação criativa e intuitiva
Formas de expressão de valoração do carater multicultural
Interações sociais e culturais / papel facilitador de integração
Iniciativas das artes e as industrias criativas
Processos artísticos: transformação de ideias em obras expressivas; compreensão das artes em contexto
Tecnologia e sociedade
Dimensões sociais, culturais, económicas produtivas e ambientais da tecnologia
Cultura tecnológica: utilizador individual, profissional e social
Natureza e evolução da tecnologia resultante do processo histórico
Impacto da tecnologia na sociedade
Novas tecnologias ao longo da vida
Processos tecnológicos: ações de natureza técnica base do próprio processo tecnológico; criar inventar, transformar, produzir controlar e utilizar produtos e sistemas; processo design (como eixo estruturante das relações de articulação interdisciplinar entre as Artes e a Tecnológica.

Carlos Gomes

Grupo de Trabalho: Perfil de Competências

A APEVT está representada no grupo de trabalho nomeado para criação do Perfil de Competências Após 12 Anos de Escolaridade. Carlos Gomes, presidente da associação, fará parte da equipa nomeada pelo Ministério para traçar este perfil.

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Fique a saber mais sobre esta iniciativa na ligação do portal do governo: Grupo de Trabalho Perfil de Competências após 12 Anos de Escolaridade.

Ensinar, Aprender e Avaliar no Ensino Básico

Decorreu no passado dia 12 de meio o encontro Ensinar, Aprender e Avaliar no Ensino Básico: Metas Curriculares e Exames. Organizado pelo Sindicato dos Professores da Grande Lisboa no auditório da Escola Secundária de Camões, reuniu em debate moderado por docentes do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa representantes da APEVT, APPI, APM e APP. Partilhamos a intervenção do presidente do conselho nacional da APEVT, Carlos Gomes.

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Comunicação: Presidente da Associação de Professores de Educação Visual e Tecnológica (APEVT)

1.    Ensinar, aprender e avaliar no Ensino Básico. Metas curriculares – “Com programas sem metas, metas sem programas, metas desajustadas, entre muitas outras incongruências”

Qualquer professor confrontado com a realização do seu trabalho letivo interroga-se sobre o QUE ensinar? Para quê? O quê? COMO? Com quem? etc.

Estes níveis de decisão formam um todo e como qualquer sistema, a alteração num desses elementos interage com todos os outros.

Nas opções do QUE ensinar, os professores têm como referência o currículo nacional, este deve contemplar os grandes objetivos para a aprendizagem dos alunos, o que inclui as principais finalidades a desenvolver e os tipos de experiências que devem ser proporcionadas a todos. Neste primeiro nível (politico), o currículo é identificado como um conjunto de orientações estabelecidas pelas autoridades educativas: Orientações Curriculares Globais; Competências Gerais Terminais de Ciclo; Princípios; Opções; Estrutura do Plano Curricular (conceptualização).
Um outro nível (técnico), está associado ao modo COMO o professor orienta e organiza efetivamente o processo de ensino-aprendizagem e ao princípio de que a sua concretização é congruente com o primeiro nível, embora requeira interpretações de cada contexto de trabalho: os Programas; as Orientações Gerais; as Competências Gerais e específicas; os Princípios e opções metodológicas; Estrutura Curricular (componentes e conteúdos).

Ora, em 2012, o Ministério da Educação e Ciência revia a estrutura curricular do Ensino Básico e Secundário e extinguia EVT, dividida em duas disciplinas. Criaram-se Metas Curriculares para essas duas novas disciplinas, mantendo intacto o programa de EVT, e pôs-se fim ao par pedagógico (criado em 1968).

A APEVT, como muitas outras organizações,  opôs-se às mudanças, criticou o fim de Competências que considerava essenciais e viu nas Metas Curriculares um retrocesso psicopedagógico com implicações metodológicas no processo de ensino aprendizagem. As metas curriculares para além de não estabelecerem as referências programáticas, não apresentaram qualquer enquadramento conceptual e fundamentação científica das mesmas.

Na devida altura a APEVT mencionou sobre as Metas:

“Não podemos deixar de referir a falta de respeito que o processo e os termos formais do documento evidenciam para professores e escolas e, uma objetiva desvalorização socioeducativa destas áreas curriculares. Este comportamento inaceitável e eticamente reprovável é evidenciado pelo seguinte: – Ausência de enquadramento programático; – Ausência de fundamentação e de enquadramento das opções assumidas na proposta das metas curriculares; – Ausência de enquadramento das categorias conceptuais que organizam os domínios estruturantes da proposta; – Ausência de fundamentação da proposta de novos blocos de conteúdo a integrar as aprendizagens; – Ausência de uma proposta de articulação vertical das metas curriculares no 1º, 2º e 3º Ciclos;”.

As metas conduziram assim a uma atomização do currículo, com cada disciplina por si, criando uma “manta de retalhos”, com a introdução da ideia de classificar as disciplinas entre estruturantes e não estruturantes levando ao estreitamento do currículo e a consequente desvalorização e alteração dos modelos disciplinares e tempos escolares dedicados às disciplinas do currículo. Colocando deliberadamente professores contra professores.
Não existe portanto qualquer possibilidade conciliatória entre as Metas e um perfil de Competências nos pressupostos do desenvolvimento curricular que defendemos. Por essa razão recusamos desenvolver uma análise que potencie a atual realidade.

Pôs-se fim à EVT que tinha surgido pela melhoria da qualidade de ensino permitida pelo alargamento da escolaridade básica numa lógica integradora da reorganização dos Planos Curriculares de 1989 – Área Artística e Tecnológica. Surgiu também, como expressão das linhas de força que se desenhavam nas boas prática dos professores, (institucionalizava-se o instituinte) e como afirmação de integração de culturas, particularizando aqui a artística e a tecnológica.

Desmembrava-se uma disciplina com duas componentes integradas e com uma metodologia nos antípodas das crenças do ministro. Efetivamente, os pressupostos metodológicos da disciplina que dão importância à individualidade do processo de aprendizagem do aluno  visam a solução de problemas que despertam o interesse do aluno a ponto de desejar resolvê-los e neste sentido o método torna-se um processo de criação.

Enquanto as Unidades Didáticas se centram em conteúdos, as Unidades de Trabalho organizam-se, segundo as fases do método de resolução de problemas que implicam o tratamento de Conteúdos que vão sendo necessários mas não se centram neles.

A própria natureza da disciplina define a sua metodologia, centrada no aluno, na entrada do ensino pelo processo, na integração da forma expressiva e produtiva da ação.

Efetivamente sempre fomos uma área de sucesso e um contributo inquestionável não só para a inclusão e para o combate ao insucesso escolar (pois somos um lugar educativo de forte realização pessoal do aluno), mas que também possibilita o desenvolvimento de estratégias educativas inter e multidisciplinares orientadas para a heterogeneidade dos públicos escolares.

A EVT dava mais vida á vida das escolas!

”Como se não bastasse, a área das expressões foi ainda reduzida, por outra via, ao fazer-se definhar a componente não disciplinar que acabou por ser reduzida à sua expressão mínima, passando o 2º ciclo a contar, neste domínio, com 9% do currículo obrigatório, o que correspondia a pouco mais de metade do que lhe tinha sido atribuído em 2001 (17%). No 3.º ciclo e ensino secundário a redução foi ainda superior, passando de 14% para 3%. Esta redução deve-se à extinção da área de projeto em todos os graus de ensino e da área de estudo acompanhado no 3.º ciclo. Resumindo, em 2011 a componente curricular não-disciplinar viu substancialmente reduzida a sua proporção no currículo obrigatório, ficou privada da dimensão de projeto, manteve o estudo acompanhado apenas no 2.º ciclo.” (PEV)

Esta área artística e tecnológica foi assim, até à última revisão curricular. Ao contrário de uma dimensão curricular baseada na prescrição de matérias e da ordem do ensino, (como imposto pelas Metas), os programas das disciplinas das Áreas Artísticas e Tecnológicas sempre se fixaram deliberadamente a um nível de grande abertura e flexibilidade.

Por tudo isto, queremos RETOMAR E SER um lugar de realização pessoal e social promotora de aprendizagens significativas e de forte inclusão escolar.

2.    Ensinar, aprender e avaliar no Ensino Básico – Que perfil de competências deve desenvolver o cidadão do século XXI de forma a contribuir para uma sociedade mais desenvolvida, mais justa e democrática?

Na última legislatura, assistiu-se a uma mudança radical que visou única e obsessivamente a redução do número de professores ao serviço da escola pública em Portugal, agravou questões pedagógicas em contexto de aula e ainda inverteu o paradigma da escola inclusiva para uma visão seletiva e dual da escolaridade.

 

A APEVT quer literacias artísticas e tecnológicas assentes em modelos disciplinares coerentes, integradores e sequenciais nos ciclos de estudo:

– Expressões no 1.º ciclo (ciclo integrado de estudos);
– Educação Visual e Tecnológica no 2.º ciclo (de áreas de carater pluridisciplinar);
– Educação Visual e Educação Tecnológica no 3º ciclo, (de disciplinas ou grupos de disciplinas de carater especifico e estimulo vocacional);
– Ensino Secundário (diversificado por disciplinas com carater profissionalizante e/ou de prosseguimento de estudos), com qualificações cruciais para o aumento da empregabilidade, baseados na prática de projeto e experimentação.

Em 2011 o Ministério da Educação definia um conjunto de competências consideradas essenciais e estruturantes no âmbito do desenvolvimento curricular, para cada um dos ciclos do ensino básico. Tratou-se de um documento essencial no processo de inovação que se iniciou em 1996 com a reflexão participada sobre os currículos, enquadrada com os programas escolares então em vigor e apoiando a construção de uma nova cultura de práticas autónomas e flexíveis de gestão curricular. As Competências Gerais transversais concretizavam-se em cada campo específico do saber e para cada contexto de aprendizagem.

APEVT está disponível para a construção de um projeto educativo sólido e de qualidade, sobretudo no que diz respeito à evolução da organização curricular das áreas educativas da Educação Visual/Artes Visuais e Educação Tecnológica.

Esse projeto poderá ter como referencia as “Competências Essenciais” referidas, que se mostram atuais para um desafio curricular do século XXI.

O perfil de saída do aluno para o século XXI deverá basear-se numa escola de verdadeira gestão flexível do currículo adaptada aos contextos locais dos territórios educativos e aos novos tempos de operacionalização curricular, (trabalho entre pares; constituição de equipas curriculares; utilização de meios on line; organização de turmas projeto etc.).

Uma educação básica (12 anos), no século XXI, tem forçosamente de desenvolver as capacidades de resolução de problemas técnicos e científicos, as capacidades de experimentação, observação e análise dos produtos e fenómenos tecnológicos, as capacidades de produção técnica e de práticas produtivas com transformação de materiais objetivadas em produções materializadas fisicamente.

O universo formativo no âmbito da Educação Visual contém várias categorias de conteúdos fundamentais na configuração do campo formativo desta área educativa na atualidade, a saber: – O processo design (como eixo estruturante das relações de articulação interdisciplinar entre a Educação Visual e a Educação Tecnológica); – A obra de arte / A arte contemporânea / Diálogo com a obra de arte; – A imagem quotidiana e imagem artística / A análise da imagem; – A narrativa visual / a imagem sequencial / a BD; – A expressão e representação tridimensional, etc.

Do mesmo modo, o universo formativo no âmbito da Educação Tecnológica contém várias categorias de conteúdos fundamentais na configuração do campo formativo, nomeadamente: – O processo design (como eixo estruturante das relações de articulação interdisciplinar entre a Educação Visual e a Educação Tecnológica); – Comunicação e gestão e organização da informação; – Análise, (re)desenho e construção do objeto técnico; – Os materiais; A energia; Estruturas resistentes; Movimento e mecanismos, etc.

Contudo, persistem omissões conceptuais no debate em curso, que encerra um sentido não declarado de uma conceção curricular determinada.

A integração das diferentes áreas e disciplinas num domínio designado das Expressões no currículo comporta equívocos e uma orientação não clarificada para a inclusão de diferentes disciplinas nomeadamente, nos modelos de organização disciplinar e no papel formativo que desempenham em cada um dos ciclos de estudo.

Estamos portanto, perante um universo de conceitos por clarificar:

– De que Educação Artística se fala nos diferentes ciclos de estudo?
– Porque existe uma omissão sobre a Educação Tecnológica?
– Porque permanece uma perspetiva reducionista relativamente à Educação Tecnológica confundida com as tecnologias digitais / informáticas.
– Que formação artística nas formações vocacionais e profissionalizantes do secundário?
– Que lugares para a formação e Educação Artística na escola: o currículo regular e os espaços extracurriculares.
– Porque se reduz sempre carga curricular nesta área educativa?
As reorganizações dos planos curriculares das últimas décadas, contribuíram para o desequilíbrio entre disciplinas e áreas curriculares. Independentemente do mérito de algumas dessas reformas, a diminuição sucessiva de tempos curriculares tem sido uma realidade: em 1974, EV, TM e TO possuíam no Ciclo Preparatório e Unificado 13 Tempos curriculares e 6 professores. Hoje, EV e ET contêm nos 2º e 3º ciclos 6 Tempos e 3 professores.
– Será convicção generalizada de que a dimensão técnica não é compatível com a felicidade pessoal na sociedade dos nossos dias ou, que a dimensão artística está para o currículo como a austeridade socioeconómica está para a cultura?

Estas e outras interrogações merecem respostas.

A APEVT afirma o seu total empenho na construção de um currículo abrangente e coeso para a escola portuguesa. Neste quadro, defendemos que qualquer alteração passará necessariamente por um processo e modelo que integre as seguintes fases:

– Elaboração de uma proposta base;
– Discussão pública (auscultação e envolvimento das entidades que trabalham estas áreas);
– Programa de experimentação, acompanhamento, apoio e monitorização;
– Formação / atualização da formação contínua de professores;
– Plano de implementação (monitorização e avaliação com desenvolvimento de dispositivos de regulação).

Carlos A. S. Gomes,
Lisboa, 12 de Maio de 2016