UM OLHAR PEDAGÓGICO

 

Criatividade, o motor da inovação

Todos temos dentro de nós um potencial criativo que não está relacionado somente com os processos cognitivos, que são acionados num momento de criação, mas também, com o potencial criativo que todos configuram graças à experiência e à confiança nas próprias possibilidades e aos super poderes criativos, como a: perseverança, imaginação e atitude crítica.

Na sala de aula podemos criar um ecossistema criativo que ajude a despertar a consciência e impulsionar o potencial de cada aluno. Acreditamos que para tal, o professor tem um papel-chave para criar as condições favoráveis que estimulem a criatividade na sua sala de aula e que a escola deve ajudar a desenvolver.Traduzimos alguns desses componentes como os super poderes e o “mapa do genoma criativo” que nos ajudará a conhecer a configuração do nosso potencial criativo. Planeamos a atmosfera através de uma proposta para criar um clima que favoreça o desenvolvimento da criatividade. Propomos um plano de desenvolvimento criativo que inclui algumas técnicas e ferramentas, atividades, dinâmicas e rotinas para incrementar a criatividade.

O laboratório criativo é a nossa aposta para que os alunos se deixem fluir e o experimentem de forma livre. No processo de aprendizagem, o registo da atividade realizada é feito por meio de ferramentas: a linha do tempo e o portfólio. A coleta de evidências e a reflexão sobre as atividades facilitam a construção do conhecimento.

Meu genoma criativo é o germe criativo desse ecossistema que se fundamenta nas ideias a seguir. A criatividade pode ser desenvolvida em qualquer situação em sala de aula. É necessário apenas que existam as condições adequadas. Como uma planta que cresce graças à luz do sol, dos sais minerais, os super poderes criativos precisam de um ambiente propício para desabrochar de maneira mais favorável. As condições ótimas que propomos para o desenvolvimento da criatividade são as seguintes:

  • Um espaço de segurança e confiança.
  •  A autoavaliação.
  • A aprendizagem por modelagem ou observação.
  • O estímulo de todos os sentidos.
  • O autocontrole emocional.
  • A metacognição como veículo do conhecimento.
  • A criatividade que se alimenta da experiência de aprendizagem em qualquer situação em sala de aula. A nossa principal estratégia é tornar visível a criatividade.

Se acreditarmos que a criatividade é o motor da inovação na escola deste século. Este menu de aprendizagem complementa aquele, que está mais focado nas propostas para os alunos. O nosso marco pedagógico para desenvolver a criatividade na sala de aula é o trabalho por projetos. Com esta metodologia são desenvolvidas as capacidades necessárias na aprendizagem ativa e criativa, tais como a análise, a busca e a seleção de informação, a compreensão, a proposição e a seleção de alternativas. Outros elementos de planeamento que propomos têm a ver com a organização da sala de aula para facilitar as dinâmicas cooperativas, e com a incorporação de rotinas de pensamento e de experiências de aprendizagem baseadas nas inteligências múltiplas e na taxonomia de Bloom. Para saber do que falamos:

Inteligências múltiplas (IM) – A teoria das inteligências múltiplas, de Howard Gardner, afirma que há mais de uma maneira de ser inteligente. Esta conceção supera a ideia da primazia da inteligência lógico-matemática e linguística como únicos parâmetros válidos. Fala-se de inteligência musical, linguístico-verbal, visual-espacial, intrapessoal, lógico-matemática, corporal sinestésica, interpessoal e naturalista. Estas inteligências devem ser levadas em consideração na hora de planear, já que cada indivíduo tem diferentes graus de desenvolvimento em cada uma delas e, portanto, é fundamental potencializar todas. Se programamos atividades a partir de cada uma das inteligências, adicionamos múltiplas oportunidades de aprendizagem a todos os alunos.

Metacognição – Capacidade de refletir conscientemente sobre nossos processos de pensamento e nossas estratégias de aprendizagem, para nos auto controlarmos e alcançarmos o melhor desempenho possível na solução de uma determinada tarefa. Esta reflexão parte de um diálogo interno no qual os estudantes avaliam permanentemente sua compreensão e desempenho. Retirado de: Eduteka https://goo.gl/hUZMx9

Project tuning (personalização de projetos) – É um processo sequenciado e estruturado para a melhoria colaborativa de um projeto. Um grupo de docentes escuta sobre o projeto e oferece feedback construtivo, novas ideias, alertas sobre dificuldades que não tenham sido antecipadas e outros comentários. A sessão de project tuning é uma forma de experimentar a cultura de crítica construtiva que se deseja desenvolver nos estudantes. Retirado de: https://goo.gl/q7K4D5

SCAMPER – É uma técnica de desenvolvimento da criatividade elaborada por Bob Eberle. A partir de um objetivo de melhoria, seja um produto, um projeto ou uma ideia, propõe-se que sejam realizadas as seguintes ações: substituir, combinar, adaptar, modificar, encontrar outros usos, eliminar e rearranjar. Estas ações suscitam perguntas de cujas respostas nascem novos pensamentos criativos. Manel Güell Barceló (2008). El mundo desde Nueva Zelanda. Técnicas creativas para el profesorado. Barcelona: Graó.

Taxonomia de Bloom – A taxonomia de Bloom baseia-se na ideia de que as operações mentais podem ser classificadas em seis níveis de dificuldade crescente. O desempenho em cada nível depende do domínio dos níveis anteriores. É importante levar em conta esta taxonomia para estabelecer objetivos e propor atividades ao longo da sequência didática. Para saber mais, pode consultar: https://goo.gl/YzrFTf https://goo.gl/WNyF1s

Trabalho por projetos – É uma metodologia com enfoque multidisciplinar que permite aos estudantes desenvolverem suas fortalezas, explorarem a partir de seus interesses, participarem de tarefas cooperativas e serem protagonistas de sua própria aprendizagem, já que cria novas ideias baseando-se nos conhecimentos prévios e na participação ativa. Para saber mais, consultar: http://eduteka.icesi.edu.co/

in “GENOMA de ESCOLA”, Martinez, Sonia Murcia, Ramón Romero, Dalia Fernández e Juan M., VIVO, 2019 Núñez, Telefónica Fundação | vivo, 2019

 

Bibliografia

COMO ENVOLVER OS ALUNOS NA APRENDIZAGEM COLABORATIVA Garofalo, Débora (2019)  Nova Escola. Disponível em: https://bit.ly/2Ypp86N  [Acesso em 25 mar 2019].

CULTURA DIGITAL NA ESCOLA habilidades, experiências e novas práticas. Série Professor Criativo I.  Gomes, A. S. et al; SCAICO, P. D.; Silva, L. R. A. e Santos, I. H. B. (2015) Recife: Pipa Editorial. https://bit.ly/2uu48y8

DESIGN DE EXPERIÊNCIA DE APRENDIZAGEM Criatividade e inovação para o planejamento de aulas. Série Professor Criativo III. Gomes, A. S.; Silva, P. A. (2016)  Recife: Pipa Editorial.  https://bit.ly/2Oq7BGZ

VIAGEM À ESCOLA  DO SÉCULO XXI Hernando Calvo, A. (2015) São Paulo: Fundação Telefônica Vivo, cap. 12. Disponível em: https://bit.ly/2gIxZ02

MUDANDO A EDUCAÇÃO COM METODOLOGIAS ATIVAS Morán, José (2015) Coleção Mídias Contemporâneas. Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações jovens. [Vol. II] Carlos Alberto de Souza e Ofelia Elisa Torres Morales (orgs.). PG: Foca Foto-PROEX/UEPG, 2015. Disponível em: https://bit. ly/2df2NUX

EDUCAÇÃO CRIATIVA Multiplicando experiências para a aprendizagem. Série Professor Criativo IV. Raabe, A. L. A.; Gomes, A. S.; Bittencourt, I. I.; Pontual, T. (2016) Recife: Pipa Editorial.  Disponível gratuitamente em: https://bit.ly/2FDPsTv  EL APRENDIZAJE BASADO  EN